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Carlos Bernardo defende industrialização do agro para transformar economia de Mato Grosso do Sul
Empresário afirma que exportação de matéria-prima limita o desenvolvimento do Estado e defende políticas para agregar valor à produção, gerar empregos e fortalecer a indústria local
Por Giovani Cezar
Publicado em 20/07/2026 18:57
Politica
Na análise de Bernardo, outro obstáculo está nas dificuldades enfrentadas pelos produtores para acessar crédito.

Mato Grosso do Sul figura entre os maiores produtores agropecuários do Brasil, mas ainda enfrenta o desafio de transformar sua produção em riqueza dentro do próprio Estado. Para o empresário Carlos Bernardo, CEO do Monarca Group e pré-candidato a deputado federal, a saída passa pela industrialização da cadeia produtiva, permitindo que carne, grãos e demais produtos sejam processados antes da exportação, gerando empregos, renda e desenvolvimento regional.

Segundo Bernardo, a discussão sobre o futuro do agronegócio precisa avançar para além da produção primária e concentrar esforços na agregação de valor. Na avaliação dele, Mato Grosso do Sul ainda exporta grande parte de sua riqueza sem aproveitar o potencial econômico que poderia ser gerado pela transformação industrial.

“Quando eu defendo a industrialização, não estou criticando o agronegócio. Pelo contrário. O agro é a força da nossa economia e precisa ser protagonista dessa transformação. O que eu defendo é que a riqueza produzida aqui também seja processada aqui. Não faz sentido continuarmos exportando matéria-prima para outros lugares gerarem emprego, tecnologia e desenvolvimento com aquilo que nós produzimos”, afirma.

O empresário avalia que a ausência de uma política consistente de agregação de valor faz com que Mato Grosso do Sul deixe de capturar parte significativa da renda gerada pela própria produção. Para ele, o Estado precisa criar um ambiente mais favorável à instalação de agroindústrias e ampliar os incentivos para quem deseja investir no processamento da produção local.

“Nós precisamos parar de vender apenas matéria-prima. O nosso objetivo deve ser exportar produtos industrializados, com valor agregado. É isso que aumenta a arrecadação, fortalece a economia e cria empregos qualificados para a nossa população”, diz.

Na análise de Bernardo, outro obstáculo está nas dificuldades enfrentadas pelos produtores para acessar crédito. Embora existam programas de financiamento, ele afirma que muitos esbarram em juros elevados e na falta de mecanismos que deem segurança para novos investimentos.

“Muitas vezes os programas existem no papel, mas o produtor encontra dificuldades para investir. Precisamos construir políticas públicas que incentivem a produção, o processamento e a industrialização. Sem isso, continuaremos assistindo outros estados e outros países enriquecerem com aquilo que sai das nossas propriedades rurais”, destaca.

Para Carlos Bernardo, o debate sobre desenvolvimento econômico também precisa deixar de lado disputas ideológicas e concentrar esforços em ações capazes de ampliar a competitividade do Estado.

“Nós precisamos discutir menos política partidária e trabalhar mais por soluções. O agro, a indústria e o poder público precisam caminhar juntos. Quando conseguimos agregar valor ao que produzimos, todos ganham: o produtor, o trabalhador, as empresas e o Estado”, afirma.

Ao resumir sua visão sobre o futuro da economia sul-mato-grossense, Bernardo defende que o Estado aproveite sua vocação agropecuária para construir uma base industrial sólida, capaz de transformar produção em desenvolvimento.

“Eu sempre digo que a riqueza que só passa pelo Estado não muda a vida de quem mora nele. Enquanto continuarmos exportando apenas matéria-prima, estaremos transferindo oportunidades para outros lugares. Precisamos fazer essa riqueza permanecer em Mato Grosso do Sul, gerando emprego, renda e qualidade de vida para a nossa população”, conclui.

Por Mayara de Sá Chaves

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