No Dia Internacional do Biodiesel, celebrado nesta segunda-feira (10), o candidato a deputado federal Carlos Bernardo chama a atenção para uma oportunidade estratégica de Mato Grosso do Sul: transformar uma parcela maior da produção agropecuária dentro do próprio Estado e fazer com que mais empregos, tecnologia e renda permaneçam nos municípios sul-mato-grossenses.
Para Carlos Bernardo é preciso ampliar a industrialização em Mato Grosso do Sul a partir de uma agenda federal de incentivos, infraestrutura e desburocratização para que matérias-primas produzidas no Estado sejam cada vez mais processadas em território sul-mato-grossense.
O biodiesel é um exemplo concreto do potencial de agregação de valor ao agronegócio. Desde 1º de agosto de 2025, todo o diesel B comercializado no Brasil passou a ter 15% de biodiesel em sua composição, o chamado B15. O país também já iniciou uma nova etapa de estudos técnicos para avaliar misturas superiores a 15%, podendo chegar a 25%. O B25, porém, ainda não é obrigatório: está em processo de avaliação técnica.

Para Carlos Bernardo, esse movimento abre uma discussão interessante para Mato Grosso do Sul: quanto da riqueza gerada por essa cadeia produtiva poderá permanecer no Estado?
“Mato Grosso do Sul já produz a matéria-prima. O desafio é transformar mais aqui, gerar empregos aqui e fazer essa riqueza circular aqui. Industrializar não significa competir com o agro. Significa fazer o nosso agro valer ainda mais”, afirma Carlos Bernardo.
Soja mostra tamanho da oportunidade
A força da produção estadual ajuda a dimensionar esse potencial. Na safra 2025/2026, Mato Grosso do Sul alcançou produção de aproximadamente 16,7 milhões de toneladas de soja.
Ao mesmo tempo, estudo divulgado pela Aprosoja/MS mostra que, considerando a produção de 2025, aproximadamente 43% da soja sul-mato-grossense foi exportada em grão. Das 14,06 milhões de toneladas colhidas naquele ano, cerca de 6,1 milhões de toneladas deixaram o Estado sem processamento industrial.
Para Carlos Bernardo, ampliar o processamento local significa criar condições para que a produção agrícola movimente uma cadeia econômica maior, envolvendo indústrias, transportadoras, fornecedores, serviços técnicos e trabalhadores qualificados.
Mato Grosso do Sul não parte do zero nessa cadeia. O Estado já possui operações industriais ligadas ao biodiesel, incluindo unidades em Três Lagoas e Rio Brilhante. A planta da Delta Biocombustíveis em Rio Brilhante, por exemplo, integra uma operação que, juntamente com a unidade de Cuiabá, possui capacidade declarada de produção de 1,6 milhão de litros por dia. A unidade da Cargill em Três Lagoas também aparece nos processos de certificação do RenovaBio da ANP.

Há ainda perspectiva de expansão em Dourados. Em 2025, a Oleoplan apresentou ao município projeto para instalação de uma usina com investimento estimado em R$ 250 milhões, capacidade projetada de 1 milhão de litros de biodiesel por dia e previsão de 140 empregos diretos.
Segundo Carlos Bernardo, o papel da política pública deve ser criar condições para que investimentos como esses encontrem infraestrutura, segurança, financiamento, logística e trabalhadores preparados em Mato Grosso do Sul.
“Quando a soja sai daqui apenas como grão, ela leva uma parte do seu potencial econômico junto. Quando transformamos essa produção dentro do Estado, começamos a construir novas cadeias: óleo, biodiesel, farelo, transporte, laboratório, manutenção, tecnologia e prestação de serviços. É esse ciclo que precisamos fortalecer.”
Armazenagem e infraestrutura
A expansão industrial, entretanto, depende de investimentos que começam antes mesmo da chegada da matéria-prima à fábrica.
Dados da Aprosoja/MS mostram que Mato Grosso do Sul possui aproximadamente 16,38 milhões de toneladas de capacidade estática de armazenagem, enquanto a produção média de soja e milho chega a 23,66 milhões de toneladas. Considerando uma margem de segurança de 20% sobre a produção, a necessidade estimada de armazenagem sobe para 28,39 milhões de toneladas.
Outro estudo da entidade estimou em R$ 6,1 bilhões o custo de oportunidade relacionado à insuficiência de armazenagem na safra 2024/2025.
Por isso, Carlos Bernardo defende que industrialização e infraestrutura sejam tratadas como partes de uma mesma política de desenvolvimento. Seu programa inclui rodovias, armazenagem e infraestrutura logística entre as condições necessárias para aumentar a competitividade da produção estadual.
Rota Bioceânica
A mesma lógica se aplica à Rota Bioceânica. Para Carlos Bernardo, o novo corredor internacional não deve servir apenas para acelerar a saída de matérias-primas. A proposta é aproveitar a integração logística para estimular indústria, comércio e novos investimentos ao longo do corredor.
“A Rota Bioceânica será uma oportunidade histórica para Mato Grosso do Sul se nós tivermos produtos de maior valor para colocar nela. Não podemos comemorar apenas porque conseguiremos mandar nossa matéria-prima mais rapidamente para fora. Precisamos aproveitar essa infraestrutura para produzir mais, industrializar mais e vender produtos com maior valor agregado.”
Qualificação e inovação
A expansão do setor também exige mão de obra preparada. Carlos Bernardo defende aproximar a educação técnica das vocações econômicas de cada região, conectando formação profissional às oportunidades concretas de emprego.

No caso dos biocombustíveis, isso envolve áreas como química, mecânica, logística, manutenção industrial, controle de qualidade e tecnologia.
Para o candidato, esse conjunto de políticas deve fazer parte de uma estratégia federal de desenvolvimento para Mato Grosso do Sul.
“O biodiesel mostra exatamente o modelo de desenvolvimento que defendemos: pegar a força que Mato Grosso do Sul já tem no campo e transformá-la em indústria, conhecimento, emprego e renda. O Estado produz muito. Agora precisamos trabalhar para que uma parcela cada vez maior do valor dessa produção fique aqui.”
Fonte: Mayara de Sá Chaves