A discussão sobre renda e o quanto sobra no bolso depois de pagar as despesas básicas ganhou um componente pessoal durante encontro do candidato a deputado federal Carlos Bernardo com moradores do bairro São Conrado, em Campo Grande. Ao falar sobre a perda do poder de compra das famílias, ele voltou à própria origem para defender que desenvolvimento econômico precisa chegar ao trabalhador.
Carlos Bernardo contou que cresceu em uma família de sete irmãos, em uma casa de madeira com frestas nas paredes, e começou a trabalhar ainda criança. Passou pela roça, foi engraxate e capinava terrenos para ajudar nas despesas de casa.
“Eu ia para a cidade com uma bicicletinha e, onde via um terreno baldio, me oferecia para limpar. Eu queria buscar dinheiro para chegar em casa e entregar para minha mãe”, recordou.
A lembrança encontrou eco na fala de Samir Espíndola, liderança comunitária que vive há décadas na região do São Conrado e Caiobá. Ao apresentar Carlos aos moradores, ele fez uma comparação direta entre as duas trajetórias.
“A sua história é igual à minha e a de muitos aqui. Eu sou aquele que se vira para trazer o pão de cada dia. Meu pai foi trabalhador e minha mãe foi empregada doméstica”, afirmou Samir.
Para Carlos Bernardo, é justamente essa parcela da população que precisa se tornar o centro do debate econômico. “Uma pessoa trabalha o mês inteiro, paga aluguel, energia, água e alimentação e, no final, muitas vezes não consegue comprar uma roupa para o filho. O poder de compra está muito baixo”, disse.
A avaliação se conecta a uma das principais linhas de suas propostas: ampliar renda não apenas por transferência de recursos, mas por geração de emprego, industrialização e aumento da atividade econômica em Mato Grosso do Sul.
Entre elas está o estímulo à instalação de indústrias e agroindústrias em municípios do interior e regiões de fronteira, com o objetivo de criar empregos e manter uma parcela maior da riqueza produzida dentro do Estado.
Carlos Bernardo também defende transformar a Rota Bioceânica em um eixo de desenvolvimento econômico. A ideia é aproveitar a redução de distâncias entre Mato Grosso do Sul e os portos do Pacífico para atrair empresas, centros logísticos e indústrias.
“Nós não queremos ver o progresso chegar, as carretas passarem e Mato Grosso do Sul virar apenas um corredor da Rota Bioceânica. Nós precisamos aproveitar essa posição para trazer indústria, empresa, emprego e oportunidade para os nossos filhos”, afirmou.
A lógica defendida por Carlos é que o aumento real da renda depende de uma economia capaz de gerar empregos melhores e reduzir custos que acabam chegando ao consumidor.
Representação do bairro
Ao falar diretamente aos moradores, Samir também destacou a importância de o São Conrado ter interlocutores nas esferas estadual e federal.
Morador da região há 38 anos, ele lembrou problemas históricos de infraestrutura e afirmou que recursos federais podem ajudar a financiar obras nos bairros, como pavimentação, unidades de saúde e equipamentos públicos.
“A gente está cansado de andar aqui no São Conrado no barro. E a gente precisa de emenda federal. Depois de 38 anos dentro do São Conrado, eu consigo trazer pessoas que podem representar essa região”, declarou.
Carlos Bernardo afirmou que pretende manter uma interlocução direta com as lideranças locais para levantar demandas do São Conrado e de outros bairros da Capital.
Hospital Binacional
A saúde também ocupou parte do encontro. Ao comentar o tema, o diretor-presidente da Agereg, Otávio Figueiró, chamou a atenção para projetos e ações que, segundo ele, ajudam a mostrar a atuação social ligada a Carlos Bernardo.
Na discussão sobre o futuro da saúde, o principal projeto apresentado pelo candidato é a implantação do Hospital Binacional de Fronteira, voltado ao atendimento especializado e de alta complexidade na faixa de fronteira.
Carlos Bernardo argumentou que Mato Grosso do Sul ainda concentra grande parte dos atendimentos especializados em poucos polos, especialmente Campo Grande, Dourados e Três Lagoas. Para ele, a criação de uma nova estrutura na fronteira permitiria reduzir deslocamentos de pacientes e aliviar a pressão sobre esses centros.
“Hoje o Estado inteiro acaba dependendo de três grandes centros. A proposta é desafogar a fronteira com um hospital de alta complexidade, capaz de atender uma região que vai de Mundo Novo a Corumbá”, afirmou.
O Hospital Binacional integra oficialmente o conjunto de propostas da candidatura. O projeto prevê articulação entre Brasil e Paraguai, estudos técnicos, cooperação internacional e busca por recursos para levar exames, cirurgias e atendimento de maior complexidade para mais perto da população.
Fonte: Mayara de Sá Chaves